As Cruzadas

Rei Ricardo, coração de leão. No peito, a cruz, principal símbolo do cristianismo.

De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de recuperar Jerusalém (que se encontrava sob domínio dos turcos seldjúcidas) e reunificar o mundo cristão, dividido com a “Cisma do Oriente”. Essas expedições ficaram conhecidas como Cruzadas.
A Europa do século XI prosperava. Com o fim das invasões bárbaras, teve início um período de estabilidade e um crescimento do comércio. Consequentemente, a população também cresceu. No mundo feudal, apenas o primogênito herdava os feudos, o que resultou em muitos homens para pouca terra. Os homens, sem terra para tirar seu sustento, se lançaram na criminalidade, roubando, saqueando e sequestrando. Algo precisava ser feito.

Como foi dito anteriormente, o mundo cristão se encontrava dividido. Por não concordarem com alguns dogmas da Igreja Romana (adoração a santos, cobrança de indulgências, etc.), os católicos do Oriente fundaram a Igreja Ortodoxa. Jerusalém, a Terra Santa, pertencia ao domínio árabe e até o século XI eles permitiram as peregrinações cristãs à Terra Santa. Mas no final do século XI, povos da Ásia Central, os turcos seldjúcidas, tomaram Jerusalém. Convertidos ao islamismo, os seldjúcidas eram bastante intolerantes e proibiram o acesso dos cristãos a Jerusalém.

Em 1095, o papa Urbano II convocou expedições com o intuito de retomar a Terra Sagrada. Os cruzados (como ficaram conhecidos os expedidores) receberam esse nome por carregarem uma grande cruz, principal símbolo do cristianismo, estampada nas vestimentas. Em troca da participação, ganhariam o perdão de seus pecados.

A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os séculos XI e XIII, partiram para o Oriente oito Cruzadas.

A primeira (1096 – 1099) não tinha participação de nenhum rei. Formada por cavaleiros da nobreza, em julho de 1099, tomaram Jerusalém. A segunda (1147 – 1149) fracassou em razão das discordâncias entre seus líderes Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império. Em 1189, Jerusalém foi retomada pelo sultão muçulmano Saladino. A terceira cruzada (1189 – 1192), conhecida como ‘”Cruzada dos Reis”, contou com a participação do rei inglês Ricardo Coração de Leão, do rei francês Filipe Augusto e do rei Frederico Barbarruiva, do Sacro Império. Nessa cruzada foi firmado um acordo de paz entre Ricardo e Saladino, autorizando os cristãos a fazerem peregrinações a Jerusalém. A quarta cruzada (1202 – 1204) foi financiada pelos venezianos, interessados nas relações comerciais. A quinta (1217 – 1221), liderada por João de Brienne, fracassou ao ficar isolada pelas enchentes do Rio Nilo, no Egito. A sexta (1228 – 1229) ficou marcada por ter retomado Jerusalém, Belém e Nazaré, cidades invadidas pelos turcos. A sétima (1248 – 1250) foi comandada pelo rei francês Luís IX e pretendia, novamente, tomar Jerusalém, mais uma vez retomada pelos turcos. A oitava (1270) e última cruzada foi um fracasso total. Os cristãos não criaram raízes entre a população local e sucumbiram.

As Cruzadas não conseguiram seus principais objetivos, mas tiveram outras consequências como o enfraquecimento da aristocracia feudal, o fortalecimento do poder real, a expansão do mercado e o enriquecimento do Oriente.

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiag/cruzadas.htm

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Mem de Sá

Após o governo de Tomé de Sousa, Portugal se deparava com um grave problema no Rio de Janeiro. A invasão dos franceses e sua aliança com os índios da região tomava uma proporção significativa, se tornando uma ameaça ao domínio português. A principal realização do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, foi justamente a expulsão dos franceses e o controle da situação.

Mem de Sá assumiu o governo da colônia em 1558 e continuou governando por 15 anos. A primeira coisa que fez foi contornar a situação da invasão francesa. Num primeiro ataque, Mem de Sá conseguiu destruir o forte Coligny, no entanto não foi suficiente para vencer a disputa. Assim, em 1º de março de 1565, o sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá, fundou a cidade de São Sebastião, que passou a ser a base das operações da luta contra os franceses. O desfecho do caso se deu somente com a ajuda de tropas do governador e da região de São Vicente e dos índios temiminós do Espírito Santo, onde foi possível expulsar os estrangeiros definitivamente.

Em 1563, os jesuítas José de Anchieta e Manuel de Nóbrega conseguiram firmar a paz entre os índios tamoios e os portugueses, a chamada Paz de Iperoig. O fim do conflito entre os índios tamoios e os portugueses foi importante para permitir a sobrevivência do Colégio de São Paulo e a permanência dos colonizadores na região.

Embora Mem de Sá tenha convivido com sérios problemas, como a fome e a varíola na Bahia, seu governo foi marcado por uma relativa paz e prosperidade. Em 1572, Mem de Sá resolveu deixar o governo-geral e voltar para Portugal. No mesmo ano, faleceu. Após sua morte, o Brasil foi dividido em dois governos: o do Norte, com sede em Salvador, e o do Sul, com sede no Rio de Janeiro.

 

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiab/mem-de-sa.htm

Tomé de Sousa

Após o fracasso das capitanias hereditárias, o governo português criou novos mecanismos com o objetivo de proporcionar a colonização do Brasil. Inicialmente, a intenção não era acabar com as capitanias, mas sim, centralizar política e economicamente a colônia. A função principal do governador-geral era coordenar a colonização fortalecendo as capitanias contra as resistências indígenas, além de fiscalizar as capitanias e apoiar a cultura de cana-de-açúcar.

O primeiro governador-geral escolhido foi Tomé de Sousa, um militar e político português. Tomé de Sousa chegou ao Brasil em 29 de março de 1549, juntamente com soldados, colonos, materiais para se construir a primeira cidade e alguns animais.

Tomé de Sousa fundou a cidade de Salvador em 1549, o centro do governo e primeira capital do Brasil. Além disso, Tomé de Sousa proporcionou o grande desenvolvimento da agricultura e pecuária. Pensando nas possibilidades reais de invasões de piratas estrangeiros e na manutenção do domínio português, o governador-geral distribuiu armas e munições aos colonos e construiu várias fortalezas em áreas estratégicas.

No âmbito religioso, o governo de Tomé de Sousa foi muito importante. Com ele vieram os primeiros jesuítas e nesse período foi criado o primeiro bispado do Brasil. Os jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, começaram a evangelização dos índios, criando também o primeiro colégio do Brasil. Além disso, os jesuítas tentavam impor aos portugueses as normas da moral cristã no relacionamento com os indígenas, visto que a escravização dos índios e a exploração sexual das mulheres indígenas era um fato presente na época.

 

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiab/tome-sousa.htm

Duarte da Costa

Duarte da Costa foi o segundo representante da Coroa Portuguesa que controlou politicamente o Brasil no período dos governos gerais. Chegando ao território colonial em julho de 1553, ele veio para substituir o governador Tomé de Souza que havia pedido ao rei Dom João III para deixar o cargo concedido pela autoridade real. Em linhas gerais, sua administração teve que enfrentar diversos problemas que colocavam em risco a manutenção dos domínios lusitanos.

Na sua chegada ao Brasil, Duarte da Costa veio acompanhado por um grupo de padres jesuítas entre os quais estavam José de Anchieta e Manoel da Nóbrega. A atuação destes dois clérigos foi de grande importância no processo de formação dos primeiros centros urbanos e instituições de ensino da colônia. Paralelamente, a missão catequizadora destas duas figuras históricas também proporcionou um intenso contato com as populações indígenas.

No ano de 1555, Duarte da Costa enfrentou sérios problemas com a tentativa dos franceses em consolidar uma colônia na região do Rio de Janeiro. O conflito desenvolvido após a chegada dos franceses foi de extrema dificuldade, pois os invasores contavam com o apoio militar dos índios que lutavam contra a presença dos portugueses. Na verdade, a postura refletia a política nada amistosa de Duarte da Costa, que permitiu a utilização da mão-de-obra dos indígenas.

A postura menos amistosa com as populações nativas pretendia resolver os problemas enfrentados com a falta de escravos africanos a serem empregados nas lavouras de cana-de-açúcar. Entre outras ações, esse governo-geral organizou tropas que combateriam as tribos indígenas do Recôncavo Baiano, que se negavam a ceder território para os colonizadores lusitanos. Consequentemente, o governo teve grandes problemas com os clérigos que conduziam as atividades religiosas no território brasileiro.

Em um desses episódios, Álvaro da Costa, filho do governador geral, foi duramente criticado pelo bispo Pero Fernandes Sardinha. A contenda entre as duas autoridades chamou a atenção da Coroa Portuguesa, que exigiu que o clérigo prestasse conta sobre as acusações onde denunciava o autoritarismo de Álvaro da Costa. Na viagem de volta a Portugal, o bispo Sardinha sofreu um naufrágio na região de Alagoas e acabou sendo morto e devorado por um grupo de índios caetés.

Os vários problemas que marcaram a administração de Duarte da Costa acabaram dando fim ao seu governo. Dessa maneira, Duarte da Costa foi substituído pelo governador Mem de Sá no ano de 1558.

 

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiab/duarte-da-costa.htm

Governo Geral

O Governo Geral foi uma alternativa ao fracasso administrativo das capitanias hereditárias.

Respondendo ao fracasso do sistema das capitanias hereditárias, o governo português realizou a centralização da administração colonial com a criação do governo-geral, em 1548. Entre as justificativas mais comuns para que esse primeiro sistema viesse a entrar em colapso, podemos destacar o isolamento entre as capitanias, a falta de interesse ou experiência administrativa e a própria resistência contra a ocupação territorial oferecida pelos índios.

Em vias gerais, o governador-geral deveria viabilizar a criação de novos engenhos, a integração dos indígenas com os centros de colonização, o combate do comércio ilegal, construir embarcações, defender os colonos e realizar a busca por metais preciosos. Mesmo que centralizadora, essa experiência não determinou que o governador cumprisse todas essas tarefas por si só. De tal modo, o governo-geral trouxe a criação de novos cargos administrativos.

O ouvidor-mor era o funcionário responsável pela resolução de todos os problemas de natureza judiciária e o cumprimento das leis vigentes. O chamado provedor-mor estabelecia os seus trabalhos na organização dos gastos administrativos e na arrecadação dos impostos cobrados. Além destas duas autoridades, o capitão-mor desenvolvia ações militares de defesa que estavam, principalmente, ligadas ao combate dos invasores estrangeiros e ao ataque dos nativos.

Na maioria dos casos, as ações a serem desenvolvidas pelo governo-geral estavam subordinadas a um tipo de documento oficial da Coroa Portuguesa, conhecido como regimento. A metrópole expedia ordens comprometidas com o aprimoramento das atividades fiscais e o estímulo da economia colonial. Mesmo com a forte preocupação com o lucro e o desenvolvimento, a Coroa foi alvo de ações ilegais em que funcionários da administração subvertiam as leis em benefício próprio.

Entre os anos de 1572 e 1578, o rei D. Sebastião buscou aprimorar o sistema de Governo Geral realizando a divisão do mesmo em duas partes. Um ao norte, com capital na cidade de Salvador, e outro ao sul, com uma sede no Rio de Janeiro. Nesse tempo, os resultados pouco satisfatórios acabaram promovendo a reunificação administrativa com o retorno da sede a Salvador. No ano de 1621, um novo tipo de divisão foi organizado com a criação do Estado do Brasil e do Estado do Maranhão.

Ao contrário do que se possa imaginar, o sistema de capitanias hereditárias não foi prontamente descartado com a organização do governo-geral. No ano de 1759, a capitania de São Vicente foi a última a ser destituída pela ação oficial do governo português. Com isso, observamos que essas formas de organização administrativa conviveram durante um bom tempo na colônia.

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiab/governo-geral.htm

Motins do Maneta

A economia mercantil européia foi responsável por uma série de transformações de ordem política e econômica. No campo econômico, podemos destacar como a concorrência mercantilista motivou diversas nações a buscarem a exploração de colônias no continente americano e a adoção de medidas de caráter protecionista. No âmbito político, as relações entre as nações européias se tornavam cada vez mais delicadas mediante os interesses comerciais antagônicos.

Nesse contexto, observamos a forma pela qual a Inglaterra conseguiu se sobressair mediante as demais nações européias. Racionalizando sua burocracia estatal, incentivando as atividades mercantis e empreendendo vantajosos acordos comerciais, a Coroa Britânica conseguiu tomar a frente no cenário econômico europeu. Uma das experiências que indicam esse triunfo obtido pela Inglaterra foi a paulatina conquista do mercado consumidor lusitano, que não possuía uma economia tão forte e independente.

Portugal, ao longo de sua experiência mercantilista acabou não dinamizando os setores de sua economia. Dessa maneira, acabou dependendo profundamente da exploração de suas colônias que levantavam capital suficiente para a aquisição de mercadorias manufaturadas, principalmente, de origem britânica. Por conseguinte, a dependência (junto aos britânicos) e a exploração (das riquezas da colônia brasileira) forçaram Portugal a participar da Guerra de Sucessão Espanhola.

Esse conflito envolveu as principais nações do continente europeu. Isso porque a França pretendia dominar o trono espanhol alegando direito legítimo mediante a falta de um herdeiro direito ao governo da Espanha. A Inglaterra, temendo o nascimento de uma imbatível potência no contexto econômico europeu, declarou guerra contra os franceses. Nesse período, Portugal que dependia economicamente da Inglaterra, se envolveu no conflito gastando grandes somas em dinheiro.

O rombo causado nos cofres lusitanos foi diretamente sentido em terras brasileiras. Portugal, visando melhorar suas finanças, resolveu aumentar os impostos cobrados na comercialização de sal e escravos. Os colonos moradores da cidade de São Salvador, indignados com o desmando metropolitano, resolveram protestar contra as novas cobranças. Entre os líderes desse levante urbano, se destacou o comerciante brasileiro João de Figueiredo da Costa conhecido como “maneta”.

A primeira medida tomada pelos insurretos foi distribuir cartazes que incitavam o restante da população contra o governo. Logo em seguida, o grupo urbano se voltou contra o estabelecimento comercial do português Manuel Dias Figueiras, um dos maiores vendedores de sal da cidade. Imediatamente, os manifestantes foram à casa do governador exigindo o fim dos impostos de valor abusivo. Temendo um conflito maior, as autoridades revogaram a cobrança.

Naquele mesmo período, as tropas francesas entravam em guerra contra Portugal. Durante o conflito, o governo francês autorizou a invasão da cidade do Rio de Janeiro, coordenado pelo corsário René Duguay-Trouin. Ao saber do episódio, os colonos de Salvador se viram amedrontados com a possibilidade de uma invasão francesa. Por isso, organizaram um novo motim onde exigiam o envio de tropas que defendessem a cidade do Rio de Janeiro.

A nova rebelião – também conhecida como Motim Patriota – contou com a liderança de Domingos Gomes, Domingos da Costa Guimarães e Luís Chafet. Em conseqüência à manifestação, tropas foram organizadas com o objetivo de combater os invasores franceses da cidade do Rio de Janeiro. No entanto, o esforço popular e militar foi todo em vão. Antes de empreender a luta, René Duguay-Trouin partiu para a Guiana Francesa.

Passados os conflitos, as autoridades portuguesas resolveram punir exemplarmente os problemas ocorridos naquele período. As lideranças dos motins baianos foram julgadas pelas autoridades coloniais. Além disso, a Coroa Portuguesa resolveu nomear um novo governador para a cidade do Rio de Janeiro.

 

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiab/motins-maneta.htm