Outros olhares, “à revolução”

 

A Revolução Farroupilha passou para a história como uma das revoltas por liberdade no Brasil da época do Império, no século 19. Segundo os livros tradicionais, o movimento começou em protesto aos impostos altos cobrados no charque, no sal e em outros produtos da região Sul, e queria a independência em relação ao governo central.

Por esse motivo, os farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves, tomaram o poder em Porto Alegre, no dia 20 de setembro de 1835, expulsando de lá o presidente da província e empossando o vice. Para o historiador, aí começa um período inédito nas revoltas brasileiras, já que pela primeira vez os “rebeldes” conseguem implantar uma República. O governo apoiado por Bento Gonçalves teve seis ministérios, serviço de correio, tratados com outros países (o Uruguai foi um deles) e uma polícia própria. “Não houve, no entanto, aplicação de ideias liberais, ou tentativa de qualquer mudança social. Esse governo se caracterizou como uma ditadura, reprimindo duramente qualquer opinião contrária

Outro engano, segundo ele, é achar que os negros lutaram pelos farroupilhas em favor da conquista de sua liberdade. “Não houve negros do lado dos estancieiros, pois estes não colocaram seus escravos para batalhar, sempre os mantiveram em trabalho nas fazendas. Os negros que participaram estavam do lado do Império e eram da chamada Infantaria Negra”, afirma. Mesmo o nome “farroupilha”, não seria derivado de “farrapos”, referente ao estado desgastado dos revolucionários. “Farroupilha é o nome do partido dos liberais exaltados, fundado em 1832”, esclarece.

A Revolta terminou em 1845 por um tratado de paz estabelecido entre os revolucionários e Duque de Caxias. Parte do “fracasso” da república farroupilha deveu-se à sua não aceitação por parte da população do Rio Grande do Sul. “Porto Alegre já era uma cidade comercial, então é claro que ninguém apoiava uma guerra, pois sempre há pilhagens e muito prejuízo para todos

Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se no Rio Grande do Sul um movimento de valorização da terra e origens que culminou com a abertura desses locais. “Houve então uma apropriação do gauchismo como símbolo de identidade, modificando a interpretação de toda essa história, colocando os revoltosos como heróis”, conta.  “a invenção das tradições”, citando o título do livro do historiador Eric Hobsbawn.

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