Revolução Industrial

Movimento de desenvolvimento da industrialização ocorrido durante o séc. XVIII e início do séc. XIX, que provocou grandes mudanças nas relações de trabalho e no modo de vida do homem, em todo o mundo.

A Revolução Industrial teve início na Inglaterra (Reino Unido). Em meados do séc. XIX, a industrialização já estava difundida na Europa Ocidental e no nordeste dos EUA.

A Revolução Industrial foi um momento decisivo na história da humanidade. Transformou a sociedade rural e agrícola do mundo ocidental em uma sociedade basicamente urbana e industrial. A industrialização trouxe muitos benefícios materiais, mas gerou também um grande número de problemas que ainda afligem o mundo moderno, como os danos ao meio ambiente. Além disso, a modernização tecnológica tornou obsoletas diversas formas de trabalho, gerando um desemprego crescente.

Condições de Vida. Antes da Revolução Industrial, menos de 10% da população europeia vivia nas cidades. Havia poucas indústrias em toda a Europa Ocidental. A maioria dos produtos manufaturados era feita em casas situadas nas zonas rurais. Comerciantes da burguesia distribuíam as matérias-primas aos trabalhadores e recolhiam os produtos acabados. Os burgueses eram donos das matérias-primas, pagavam pelo trabalho realizado e procuravam mercado para seus produtos.

O modo de vida variava pouco de uma geração para outra, e a maioria dos filhos seguia o ofício dos pais. Os trabalhadores e lavradores não tinham voz ativa no governo. Em muitos países, não havia nem mesmo eleições.

Máquina de fiar, que acelerou a fabricação de tecidos no início da Revolução Industrial.
Crescimento. A Revolução Industrial foi desencadeada por várias razões. O Reino Unido possuía grandes jazidas de carvão e ferro, as duas riquezas naturais das quais dependia em grande parte a industrialização, no início. Em meados do séc. XVIII, o país tornou-se a primeira potência colonial do mundo. As colônias inglesas forneciam não apenas matérias-primas como também mercados para os produtos manufaturados.
James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor.

A procura dos produtos ingleses aumentou rapidamente durante o final do séc. XVIII, tanto no Reino Unido como em outros países, mas a oferta de mão de obra e matérias-primas era limitada. O meio mais econômico e eficiente de empregar o capital e aumentar a produção era desenvolver fábricas, máquinas e habilidades técnicas.

Desenho mostra maquinário têxtil inglês: a automação crescente é marca da Revolução Industrial.
A INDÚSTRIA TÊXTIL

Uma das características mais notáveis da Revolução Industrial foi a introdução de máquinas automáticas nas indústrias têxteis da Inglaterra e da Escócia, o que ocorreu entre 1750 e 1800 e assinalou o início do modo de produção moderno.

Com o aumento da procura de tecidos, os comerciantes voltaram-se cada vez mais para as máquinas, visando ao aumento da produção, e para as fábricas, a fim de centralizar o controle sobre seus trabalhadores.

Para atender ao aumento da procura de tecidos e outros produtos, os proprietários de terras começaram a cultivar matérias-primas em vez de alimentos em suas propriedades, e estas se tornaram maiores. Verificou-se um grande aumento de investimento de capital na agricultura. Melhoraram os padrões de administração das propriedades agrícolas, bem como a qualidade das criações e das lavouras.

Máquinas de Fiar. Durante centenas de anos antes da Revolução Industrial, a fiação era feita em casa, em um aparelho simples chamado roca, que produzia apenas um fio de cada vez.

Em 1738, Lewis Paul, um inventor de Middlesex, e John Wyatt, um mecânico de Lichfield, patentearam uma máquina de fiar que tanto retirava as fibras da matéria-prima quanto torcia as fibras em um só fio e o enrolava em carretéis. Do ponto de vista da mecânica, essa máquina não foi um sucesso completo, mas representou o primeiro passo para a indústria têxtil.

Entre 1774 e 1779, Samuel Crompton, tecelão de Lancashire, criou uma fiadeira que associava as características das máquinas criadas mais de uma década antes por James Hargreaves e Richard Arkwright. Durante as décadas de 1780 e 1790, fiadeiras desse tipo, de maiores dimensões, acabaram com a fiação doméstica.

A MÁQUINA A VAPOR

Muitas das mais importantes invenções da Revolução Industrial requeriam muito mais força do que a fornecida pelos cavalos ou pelas rodas hidráulicas. O vapor era a fonte de energia barata e eficiente de que a indústria necessitava.

A primeira máquina a vapor amplamente usada foi criada em 1712 por Thomas Newcomen, ferreiro de Devonshire, que se baseou na bomba a vapor de Thomas Savery. Cinquenta anos depois, James Watt, da Escócia, começou a trabalhar no aperfeiçoamento dessas máquinas. Em 1765, havia criado uma que empregava o calor de maneira muito mais eficiente do que a máquina de Newcomen e consumia menos combustível.

O enorme potencial da máquina a vapor e das máquinas automáticas não poderia ter sido obtido sem o desenvolvimento de máquinas operatrizes destinadas a dar forma ao metal. Watt, por exemplo, não conseguiu encontrar um aparelho capaz de fazer um buraco perfeitamente redondo, para evitar o vazamento de vapor. Em 1775, John Wilkinson, um ferreiro de Staffordshire, inventou uma máquina de brocar capaz de fazer furos mais perfeitos. Em cerca de 1830, todas as principais máquinas operatrizes necessárias à indústria moderna já estavam sendo usadas em grande escala.

CARVÃO E FERRO

A Revolução Industrial não poderia ter se desenvolvido sem o carvão e o ferro. O carvão fornecia a energia para acionar as máquinas a vapor e era necessário para a fabricação do ferro. Este era usado para aperfeiçoar as máquinas e as ferramentas, e para construir pontes e navios. As grandes jazidas de carvão e minério de ferro do Reino Unido contribuíram para transformar o país na primeira nação industrial do mundo.

Siderurgia Antiga. Para fabricar o ferro, era preciso separá-lo dos elementos não-metálicos contidos no minério por um processo chamado fusão. O combustível mais prático para a fusão era o carvão obtido na queima de madeiras resistentes. Como essas madeiras eram também usadas para outros fins, no início do séc. XVIII o Reino Unido já havia quase esgotado todas as suas reservas.

A Revolução na SiderurgiaEntre 1709 e 1713, Abraham Darby, fabricante de ferro de Shropshire, conseguiu fundir esse metal usando o coque, obtido pela combustão do carvão mineral. Perto de 1750, o filho de Darby, Abraham Darby II, desenvolveu um processo que tornou o ferro fundido com coque tão trabalhável quanto o ferro fundido com carvão. A fusão com o coque passou a ser adotada em todo o Reino Unido, o que libertou a indústria de ferro inglesa da dependência do carvão vegetal. Além disso, todo o processo de fabricação do ferro pôde ser reunido em uma operação contínua perto das jazidas de carvão mineral. Em consequência, a indústria do ferro no Reino Unido ficou concentrada em quatro regiões mineiras: Staffordshire, Yorkshire, sul do País de Gales e ao longo do rio Clyde, na Escócia.

Primeira locomotiva a vapor, construída em 1804 pelo engenheiro inglês Richard Trevithick.
TRANSPORTES

O crescimento da industrialização dependia da capacidade de transportar matérias-primas e produtos finais por longas distâncias. Portanto, a história da Revolução Industrial é também a história de uma revolução dos meios e vias de transportes.

O primeiro barco a vapor de êxito comercial foi criado em 1807 pelo norte-americano Robert Fulton. Em poucos anos, os barcos a vapor tornaram-se comuns nos rios ingleses, e logo os navios a vapor transportavam matérias-primas e produtos acabados por meio do oceano Atlântico.

Até o início do séc. XIX, o Reino Unido tinha poucas estradas. Dois engenheiros escoceses, John Loudon McAdam e Thomas Telford, realizaram importantes progressos na construção de estradas durante o início do séc. XIX. McAdam criou o macadame, um tipo de calçamento que consiste em finas camadas de pedra britada. Telford desenvolveu a técnica de utilização de grandes pedras chatas como base de pavimentação. A viagem por terra tornou-se mais rápida, e os produtos manufaturados puderam ser entregues com mais eficiência.

Em 1804, um engenheiro de Cornwall, Richard Trevithick, construiu a primeira locomotiva a vapor, mas somente no final da década de 1830 as locomotivas a vapor começaram a ser utilizadas em grande escala no transporte de cargas e passageiros.

Ilustração de sapataria na época da Revolução Industrial: jornada de trabalho de mais de 12 horas.
O PAPEL DO CAPITAL

Os comerciantes ingleses que enriqueceram no séc. XVIII com as guerras europeias, o tráfico de escravos ou o comércio com as colônias britânicas começaram a procurar oportunidades de investimento ao observar os grandes lucros obtidos pela indústria. Aos poucos, foram sendo fundados bancos para lidar com o crescente fluxo de dinheiro. À medida que as máquinas e as fábricas se tornavam mais caras, os particulares que forneciam o capital ganharam mais importância. Esses capitalistas logo se tornaram uma das forças mais poderosas na vida comercial e política do Reino Unido.

A Vida durante a Revolução Industrial. A Revolução Industrial provocou grandes mudanças no modo de vida. Os privilégios educacionais e políticos, que antes pertenciam em grande parte à classe alta, estenderam-se à classe média em expansão. Alguns trabalhadores foram substituídos por máquinas, mas outros encontraram novas oportunidades de emprego trabalhando com a maquinaria.

Na Inglaterra, a Revolução Industrial modificou a paisagem das cidades a partir do século XVIII.
A Classe Trabalhadora. No sistema doméstico, muitos patrões mantinham um relacionamento íntimo com seus empregados e sentiam-se de alguma forma responsáveis por eles. Esse relacionamento tornou-se impossível nas grandes fábricas da Revolução Industrial. Os industriais empregavam muitos trabalhadores e não podiam lidar com eles pessoalmente.

A jornada de trabalho do sistema industrial provavelmente não era maior que a do sistema doméstico – cerca de 12 a 14 horas por dia durante seis dias na semana. Nas fábricas, porém, as máquinas obrigavam os operários a trabalhar mais rápido e sem descanso.

Os salários nas fábricas eram baixos. As mulheres e as crianças trabalhavam como empregados não-especializados e recebiam apenas uma parte insignificante dos baixos salários dos homens. As crianças, muitas delas com menos de 10 anos, trabalhavam de 10 a 14 horas por dia. Algumas ficavam deformadas pelo trabalho ou acabavam mutiladas por máquinas que não ofereciam segurança.

A maioria dos trabalhadores era muito pobre e não sabia ler nem escrever. A construção de habitações nas cidades industriais em expansão não acompanhava o ritmo da migração de trabalhadores provenientes das zonas rurais, o que provocou um grave problema de superpopulação. Muitas pessoas viviam em péssimas condições higiênicas e, portanto, sujeitas a surtos de doenças.

As condições de vida e de trabalho das classes trabalhadoras foram aos poucos melhorando durante o séc. XIX. O Parlamento, que em geral representava apenas a classe alta, começou a agir no interesse das classes média e trabalhadora. Extinguiu a lei que proibia os sindicatos e aprovou outra regulando as condições nas fábricas. Em 1832, um projeto de lei concedeu o direito de voto à maioria dos homens da classe média. Outro projeto de lei, aprovado em 1867, concedeu o direito de voto a muitos trabalhadores da cidade e donos de pequenas propriedades rurais.As Classes Média e Alta. Embora os trabalhadores não tivessem inicialmente compartilhado da prosperidade da Revolução Industrial, as classes média e alta prosperaram desde o princípio. A classe média, formada por negociantes e profissionais, conquistou vantagens políticas e educacionais. À medida que se fortalecia, a classe média foi adquirindo mais importância política. Em meados do séc. XIX, os interesses comerciais determinavam em grande parte a política do governo britânico.

Antes da Revolução Industrial, a Inglaterra tinha apenas duas universidades: Oxford e Cambridge. Mas a revolução provocou carência de engenheiros, empregados de escritórios e profissionais. Consequentemente, a educação tornou-se vital e algumas bibliotecas, escolas e universidades foram fundadas por pessoas ou grupos particulares.

Fonte:http://www.klick.com.br/enciclo/encicloverb/0,5977,cliente-415,00.html

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