Caminho do Peabiru

Muitos eram os caminhos utilizados pelos povos sul-americanos antes de o Brasil ser colonizado pelos europeus. Um dos mais conhecidos e discutidos pelos historiadores é o Caminho de Peabiru, que ligava a então Capitania de São Vicente  (interior de São Paulo) à cidade de Cusco, no Peru. A trilha estendia-se por aproximadamente três mil quilômetros e também cortava Paraná, Bolívia e Paraguai.

Peabiru é uma palavra da língua tupi-guarani, “pe” significa caminho e “abiru”, gramado amassado. E a rota ilustrava perfeitamente a descrição do nome, pois foi aberta no meio da mata virgem e, segundo alguns historiadores, tinha um metro e quarenta de largura. O tronco principal do caminho de Peabiru cruzava o Estado do Paraná de Leste a Oeste, penetrava no chaco paraguaio, atravessava a Bolívia, a Cordilheira dos Andes e terminava no sul do Peru, onde pegava parte da costa do Pacífico.

Mapa do Peabiru (clique para ampliar)

Mapa do Peabiru

Importância histórica do Caminho de Peabirú

A grande importância histórica do caminho de Peabiru foi, primeiramente, guiar as migrações indígenas, mas também serviu para facilitar a circulação de mercadorias, o comércio e as missões religiosas. A trilha foi, também, o principal acesso à região Sul do Brasil. Apesar de existirem diversas teorias sobre seus fundadores, a mais aceita é de que foram os Incas que construíram Peabiru.

Pela trilha, passaram diversos personagens históricos importantes. Foi lá que o português Aleixo Garcia  iniciou os primeiros contatos com os povos Incas e descobriu o Sul do Brasil. Depois de Aleixo Garcia, Peabiru ficou bastante conhecida, sendo explorada posteriormente por Pero Lobo. Quem guiou a expedição de Pero Lobo foi Francisco Chaves, que, seguindo um antigo atalho indígena que cruzava o Caminho de Peabirú, acabou deparando-se com os indígenas Guarani. Pero e sua expedição foram mortos pelos Guaranis quando atravessavam o Rio Paraná, nas proximidades de Foz do Iguaçu.

Outros desbravadores da trilha foram o historiador Alvar Nuñes Cabeza de Vaca, em 1541, o alemão Ulrich Schmidel em 1553 e os jesuítas Pedro Lozano e Ruiz de Montoya em suas missões de catequese.

trilhaQuase um século depois destas expedições, Raposo Tavares e outros bandeirantes de São Paulo realizariam, via Peabirú, os devastadores ataques às missões do Guairá, no atual estado paranaense. O finado historiador português Jaime Cortesão, explica que foi pelo caminho de Peabiru que os exploradores europeus conseguiram subir aos Andes.

Atualmente, restam apenas alguns vestígios do que foi o grande trajeto que ligava o Brasil ao Peru. Uma curiosidade é que, os Guaranis plantavam uma gramínea chamada puxa-tripa pela trilha, isso evitava que a mata encobrisse o caminho. E não é só isso, em seus trechos mais complicados, a rota chegou a ser encoberta com pedras. Em outras partes havia sinalização demarcada por inscrições rupestres, símbolos e mapas de origem indígena.

Muitas cidades foram fundadas nas cercanias da trilha, como a própria Peabiru, que existe até hoje no norte do Paraná. Surgido em 1903, o município foi criado pelos inúmeros colonizadores que, acompanhados de suas famílias, construíram casas e se dedicaram à agricultura, o que levou mais pessoas aos arredores do Caminho de Peabiru, formando assim, vilas e povoados adjacentes.

Fonte:http://www.historiabrasileira.com/brasil-pre-colonial/caminho-do-peabiru/

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